Passei assim meio de lado, raspando só com a ponta dos dedos da mão na sua blusa. Como se quisesse deixar uma pista naquele meio-tempo. Uma parte do todo pra que você percebesse, mesmo que pela metade, que eu passei e pensando que de repente você quissesse seguir os rastros no vento. Que quisesse recuperar o resto e me tornar inteiro numa batida de olhos, pra completar toda a metade da minha vida que ficou naquele tocar na sua blusa de raspão, numa calçada no meio da cidade, naquele meio-dia.
Suave.
ResponderExcluirUm belo registro descritivo remetente à solidão, à falta de ruídos diante desses fortuitos momentos de completude e projeção. Estar só: condição humanamente comum. Sentir-se só: abstração dormente e involuntária da realidade, sobre a qual não se tem controle, múltiplo estado de espírito, confundido, renegado e não adimitido, quando não evitado... tentativas sem sucesso. Inútil lutar conta a força sólida e brutal de qualquer sentimento.
ResponderExcluirSutil é permitir-se sentir.
lindo.
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