quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Miragem

Os poucos vestígios de sol eram os raios filtrados nas folhagens, que deixavam ver pequenas partículas de qualquer coisa flutuando. Estávamos longe de quaisquer olhos que não fossem os nossos. Podíamos ser quem quiséssemos, principalmente depois de ter esvaziado a garrafa de vinho. Eu quis ser o vento, já que estava tudo tão parado. Lembro que você era uma alguma flor colorida, mas não parecia querer entrar no papel. E então ela quis ser uma árvore e dançou com as árvores enquanto durou a brisa. Nisso você continuava imóvel - uma bela flor de plástico. Chamava a atenção sim, mas de perto, suas pétalas duras e seu pólen cheiravam a esmalte de farmácia, denunciando que tudo aquilo não podia ser verdade por muito tempo.

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