Abro a janela, defenestro dores. Elas se perdem junto com outras, que escorrem, que enchem as ruas, entopem os bueiros, apagam as luzes.
E nessa hora a essa cidade não é nada a não ser um leve sussurrar contínuo, um segredo conhecido que está ali e não se pode pegar - como o céu. Está ali e tenta tirar a atenção do silêncio, chega a ser o bastante, mas não o é suficiente para calá-lo.
O silêncio não se cala nunca. Pare para ouvir, ele tá lá. E a cidade também está lá, em silêncio, ou seja: falando.
Cala a boca, e escuta:
...pois é.
A cidade evoca silêncios e vazios.
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