Ou
“Contínuo”
Testa no vidro gelado, a moça deitada na cadeira do metrô olha pela janela: os trilhos nascendo de um lado e morrendo no outro.
"A gente acontece em pedaços, nunca inteira"
Talvez fosse o começo de um poema, ou talvez o final, ou talvez fosse mais um pensamento incompleto. De qualquer forma, um fragmento, como os trilhos, nascendo de um lado e morrendo no outro, como a vida, nascendo e morrendo na borda dos olhos.
“Só não se sabe qual lado é que vem e qual lado é que vai”
O outro metrô passa ao lado, morrendo ao contrário. Parece doloroso, mas pra ele nós é que morremos, e não dói tanto. Claro, sempre tem a janela que dá pra ver o que passou, o que vai vir. Mas é sempre só um pedaço que a gente pode ver e que é roubado pelos ponteiros, e
“O tempo nasce quando morre”
não dá nem pra apreciar. A única coisa que sobra é um espaço vazio, repleto de coisas que passam.
Olharescabelosmalastestasnasjanelasamoresódiosponteiros.
Como ponteiros. Sempre dando a volta em algum lugar, se cruzando sem saber, numa confusão de já ter visto antes, de já ter vivido antes, de já ter morrido antes, de nascer ao contrário.
.“rerrom é recsaN”
De qualquer forma, o que importa é que pra ela continua.
E vale a dor.
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