domingo, 31 de março de 2013

Fragmento #1.165



Ou
“Contínuo”


Testa no vidro gelado, a moça deitada na cadeira do metrô olha pela janela: os trilhos nascendo de um lado e morrendo no outro.


"A gente acontece em pedaços, nunca inteira"


Talvez fosse o começo de um poema, ou talvez o final, ou talvez fosse mais um pensamento incompleto. De qualquer forma, um fragmento, como os trilhos, nascendo de um lado e morrendo no outro, como a vida, nascendo e morrendo na borda dos olhos.


“Só não se sabe qual lado é que vem e qual lado é que vai”


O outro metrô passa ao lado, morrendo ao contrário. Parece doloroso, mas pra ele nós é que morremos, e não dói tanto. Claro, sempre tem a janela que dá pra ver o que passou, o que vai vir. Mas é sempre só um pedaço que a gente pode ver e que é roubado pelos ponteiros, e


“O tempo nasce quando morre”

não dá nem pra apreciar. A única coisa que sobra é um espaço vazio, repleto de coisas que passam.
Olharescabelosmalastestasnasjanelasamoresódiosponteiros.

Como ponteiros. Sempre dando a volta em algum lugar, se cruzando sem saber, numa confusão de já ter visto antes, de já ter vivido antes, de já ter morrido antes, de nascer ao contrário.

.“rerrom é recsaN”

De qualquer forma, o que importa é que pra ela continua. 
E vale a dor.

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