segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Fragmento #12


ou

“Uma tempestade deixaria menos destroços”

Podia parecer que sim, mas eu não estava desviando o olhar quando você olhava, é culpa da poeira, essa maldita. Eu queria é te olhar até cansar e mais. Só que o vento soprava tudo e forte.
Areia pra tudo quanto é lado,
entrando em tudo quanto é canto.

Coisas voavam se chacoalhando, não se sabe se de desespero ou se contorcendo de rir. Porque era cômico –
nosso guarda-chuva virando ao contrário,
nos deixando alarmantemente vulneráveis.

Não restava onde nos abrigar, a não ser em nós mesmos, era só aceitarmos nosso próprio ridículo.

Mas sei, você prefere fugir:
se é pra se render que seja com classe, chacoalhando no vento e tudo leve –
voando.

Te entendo.

Mas olha, não se alarme que é só um abraço. Quem sabe a gente não resiste a essa ventania, se nos segurarmos um no outro? Que se dane a areia entrando nos olhos,
no ouvido,
na cueca.

Que se dane que o mundo tá indo pra merda, tudo virando destroços e estamos sendo ridículos. Um abraço só pra sentir algo mais real, pra desbaratinar esse vergonha, porque nunca fomos bons em falar. Só pra agarramos em algo juntos, pra terminar qualquer coisa que começou antes da tempestade, antes que ela termine com a gente.

Porque se for pra acabar assim, prefiro que nos acabemos em nós mesmos.

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