terça-feira, 3 de setembro de 2013

Fragmento #4


Ou“Filme de Domingo”


“You said always and forever.
Now I believe you, babe.
(...)Is such a long and lonely time”


Não que seja uma reclamação, mas essas coisas normalmente duram mais de que deveriam. Às vezes a gente se arrepende de dizer que é pra sempre, e às vezes se arrepende de não ter dito.

Dessa vez ninguém disse e acho que foi isso que faltou. Tem muita força essa expressão,
“sempre”
...você sabe.

"Sempre" não se pode medir
- é infinito -
e dizê-lo é como tirar isso de dentro da gente,
tirar o que não tem fim e não sai com o tempo.
De forma que, não dizê-lo nessas ocasiões é ter que conviver com essa coisa sem fim ali dentro,
é ter que lembrá-la infinitamente.

Acontece que é o final de uma história, e tudo o que se sabe é de uma cena vaga,
mais inventada do que real –
já que ela não teve fim por não ter sido delimitada no tempo nem por um nem pelo outro:
Eles estão de frente, e se dão um tchau pelo canto da boca,
de raspão pra evitar ver a umidade recente no rosto,
e de repente
se encontram numa dessas de achar que já se foi, mas sem na verdade ter ido. E aí vem,
mais um cruzar de olhos,
mais um tímido fungar ou um podia ter sido melhor,
e vai desbaratinando, num agarrar de mãos como se não tivesse mais chão pra se apoiar,
e então mais um abraço. que não chega a durar muito,
mas mesmo assim é toda uma vida;
como os ponteiros no relógio se perdendo em algum ângulo incompleto,
um pouco antes de dar uma volta inteira ou completar uma frase de despedida de verdade,
incoerentemente firme,
mas normalmente algo já sem importância na hora, alguma coisa a ver com um banco de parque ou uma música.
E tudo fica ridiculamente parecido com um filme de domingo.

        Mas vai se segurar.

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