quarta-feira, 31 de julho de 2013

Fragmento #1.165


Ou

“Contínuo”

Testa no vidro gelado, a moça deitada na cadeira do metrô olha pela janela: os trilhos nascendo de um lado e morrendo no outro.

"A gente nasce e morre em pedaços, nunca inteira"

Talvez fosse o começo de um poema, ou talvez o final, ou talvez fosse mais um pensamento incompleto, como os trilhos, nascendo de um lado e morrendo no outro, como a vida, nascendo e morrendo na borda dos olhos.

“A gente só não sabe qual lado é que vem e qual lado é que vai”

O outro metrô passa ao lado, morrendo ao contrário. Parece doloroso, mas pra ele nós é que morremos, e não dói tanto. Claro, sempre tem a janela que dá pra ver o que passou, o que vai vir. Mas é sempre só um pedaço que a gente pode ver e que é roubado pelos ponteiros, e

“O tempo nasce quando morre”

não dá nem pra apreciar. A única coisa que sobra é um espaço vazio, repleto de coisas que passam.


Olharescabelosmalastestasnasjanelasamoresódiosponteiros.

Sempre dando a volta em algum lugar, se cruzando sem saber, numa confusão de já ter visto antes, de já ter vivido antes, de nascer ao contrário.

.“rerrom é recsaN”

Mas tanto faz o lado. O que importa é que pra ela continua. Mas que dói, dói.

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