Eu voltava pra casa já de noite, passando pelas ruas vazias do bairro onde quase ninguém anda a pé, depois de horas vagando pela cidade, observando tudo: as placas, as cores dos prédios, das pessoas, das árvores, as fachadas indefinidamente repetidas das casas.
Mesmo assim eu nāo sabia o que responder. De forma que quando a pergunta vinha eu a repetia em voz alta pra mim mesmo e parava por aí como se isso fosse minha resposta.
Nāo era como aqui, onde eu sei responder tudo, mesmo se a resposta for mentira, mesmo se a resposta for nada, que é melhor do que responder com outra pergunta.
Mesmo assim foi tudo incrível, e digo incrível porque eu nāo acreditava mesmo. O fato de responder aquelas perguntas com uma pergunta era a prova de que eu nāo acreditava, que nāo sabia que merda estava acontecendo, mas eu sabia que era algo excepcional.
Sendo assim, tirei fotos, como sempre, fiz as fotos como se fizesse perguntas.
O que é essa placa? clique.
O que é essa porta? clique.
O que é essa escada? clique.
Que merda eu estou fazendo aqui? clique.clique.clique.clique.clique.
Enfim voltei. Quase nāo chorei, como é de costume quando se tira um doce de uma criança, como sempre foi meu costume.
Achei um absurdo. Me decepcionei comigo mesmo por nāo chorar, até pensei: acho que isso é ser maduro
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Hoje terminei de ver todas as fotos da viagem. Vi, revi, absorvi todas elas. E entāo lembrei da pergunta que me faziam e eu nāo sabia o que responder, e finalmente soube a resposta:
Eu saí.

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